O fenómeno Pro Evolution Soccer

As gajas são uma parte da população feminina portuguesa muito especial, mas felizmente nem todas as mulheres são gajas. As gajas têm algumas características bastante sui generis, tais como falar de futebol.
Tentar ver um jogo de futebol ao lado de uma gaja é uma tarefa dura. As gajas enganam-se mais que qualquer comentador da SportTV, são capazes de fazer o milagre de chamar João Moutinho ao Manuel Fernandes (e vice-versa), e afirmar convictamente que a carga de ombro dá lugar a expulsão. Já uma entrada a pé juntos é normal e “faz parte do jogo”. As gajas começam a gostar de ver futebol a partir do momento que descobrem que o ex-namorado vai frequentemente ao estádio ver a bola. E começam a beber sangria à pressão quando descobrem que o mesmo ex-namorado bebe umas imperiais quando está com os amigos.
A nível social, ainda, gostam de dar as mãos e saltar como quando tinham 6 aninhos, porque as gajas são umas grandes malucas e fazem tudo o que lhes apetece. Gostam de falar de sexo como se fossem grandes entendidas no assunto, gostam de dizer que têm experiências lésbicas, mas ficam horrorizadas quando vêem preservativos com sabor. Embebedam-se quando saem à noite e levam carro porque, justamente, são malucas, mas quando vão de transportes ficam sóbrias.
E para ser uma boa gaja, tem que se andar bem fashion. E é com esse objectivo que as gajas fazem romarias ao Chiado e à Baixa, passando também, quiçá, por outlets porque as gajas têm a mania que são muito inteligentes e que compram as melhores coisas ao menor preço. Mas quando vão às compras não reparam apenas nos artigos expostos para venda. Cobiçam também os vendedores, que são muito giros, e de certeza que trabalham numa loja porque são recém-licenciados com uma média final de curso igual ou superior a 17 valores.
Quando falam connosco no MSN quase que fazem strip-tease pela webcam, mas depois têm medo de se encontrar connosco num qualquer café. Inventam desculpas tais como “roubaram o telemóvel à minha irmã mais velha, e eu tenho que ir à esquadra com ela fazer participação”.
Adoram rapazes com acessórios, quanto menos se vir da cara melhor, porque as gajas têm o dom genial de achar que um rapaz é giro porque usa uns óculos fashion, daqueles que tapam a cara toda, ou então que tem uns braços bastante bonitos pois usa wristbands aos quadradinhos. Rapazes com acessórios e com o 12º por acabar, de preferência, porque as gajas não suportam uma conversa interessante. Mas sabem que o Che Guevara era muito boa pessoa e é o ídolo delas todas. Assim como o Bob Marley era um “granda músico chaval”.
Algumas gajas conseguem fazer a proeza de entrar na faculdade. E aí fazem amizade com o porteiro, com o rapaz das fotocópias que é “bué de giro” e ainda com a senhora do bar, onde vão todos os dias tomar o pequeno-almoço de modo a gastar muito dinheiro aos papás e a chegarem atrasadas à aula, garantindo assim que os três rapazes mais feios da turma reparam nelas.
Apenas uma ressalva final: todas as minhas amigas não são gajas. São raparigas doces e afáveis, que eu muito prezo. E obviamente que qualquer rapariga que leia isto não se vai considerar uma gaja.